▸ Síndrome do Desfiladeiro Torácico (CID-10 G54.0)
Síndrome do Desfiladeiro Torácico (SDT / CID-10 G54.0) é uma condição neurovascular decorrente da compressão mecânica do plexo braquial e dos vasos subclávios (artéria e veia subclávia) na transição cervicotorácica em direção aos membros superiores. No contexto de Saúde e Segurança do Trabalho, a elevação repetitiva dos braços acima de 60°, o transporte manual de cargas nos ombros e a postura de flexão cervical com anteriorização dos ombros constituem perigos ergonômicos da NR-17, frequentemente enquadrados como concausa em ações trabalhistas perante o TRT-23.
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O que é a Síndrome do Desfiladeiro Torácico e Quais os Sintomas?
O desfiladeiro torácico é um espaço anatômico estreito por onde passam nervos e artérias essenciais para a inervação e circulação dos braços e mãos. A compressão pode ocorrer em três pontos anatômicos principais:
1. Triângulo Interescalênico: Entre os músculos escalenos anterior e médio e a primeira costela.
2. Espaço Costoclavicular: Entre a clavícula e a primeira costela.
3. Espaço Retropeitoral Menor: Abaixo do músculo peitoral menor, próximo ao processo coracoide.
▸ Quadro Clínico Típico no Trabalho:
- ▸Formigamento, dormência e parestesia: Irradiação ao longo da borda medial do antebraço e nas mãos (especialmente no 4º e 5º dedos).
- ▸Perda de força muscular e fadiga precoce: Dificuldade para segurar ferramentas, digitar ou carregar objetos.
- ▸Sintomas Vasculares (quando há compressão arterial/venosa): Mãos frias, palidez ou cianose dos dedos, edema e peso no membro superior após a jornada de trabalho.
Testes Manobras Periciais Utilizadas no TRT-23
Durante a perícia judicial trabalhista, o perito médico ou assistente técnico fisioterapeuta do trabalho aplica manobras ortopédicas específicas para evidenciar a compressão postural:
| Teste Ortopédico Pericial | Como é Executado | Resposta Positiva (Indício de SDT) |
|---|---|---|
| Teste de Adson | Rotação e extensão da cabeça para o lado afetado com inspiração profunda. | Diminuição ou desaparecimento do pulso radial, evidenciando compressão interescalênica. |
| Teste de Wright (Hiperabdução) | Braço abduzido a 180° com rotação externa enquanto se palpa o pulso radial. | Desaparecimento do pulso ou reprodução imediata de dormência nos dedos. |
| Teste de Roos (EAST Test) | Braços a 90° de abdução com flexão de cotovelos, abrindo e fechando as mãos por 3 minutos. | Incapacidade de manter a manobra por 3 minutos devido a dor, peso e formigamento severo. |
| Manobra de Eden (Costoclavicular) | Projeção dos ombros para trás e para baixo (posição militar de sentido). | Compressão vascular no espaço costoclavicular com redução do pulso radial. |
Fatores Ergonômicos Desencadeantes na NR-17
Em frigoríficos (NR-36), armazéns de grãos, indústrias metalmecânicas e linhas de produção em Mato Grosso, as causas operacionais mais comuns identificadas na Análise Ergonômica do Trabalho (AET) incluem:
1. Trabalho com Braços Suspensos: Ferramentas manuais ou peças operadas acima da linha dos ombros (ângulo de flexão/abdução > 60° pontuado com risco crítico nos métodos RULA e REBA).
2. Cargas Pesadas nos Ombros: Apoio de sacarias de grãos ou implementos diretamente sobre a cintura escapular, comprimindo o espaço costoclavicular.
3. Mobiliário Rebaixado ou Monitores Fora de Posição: Postura de "ombros caídos" (protração escapular) e flexão cervical contínua em telas sem ajuste de altura.
4. Ausência de Micropausas: Inexistência de pausas para recuperação muscular dos músculos trapézio e escalenos.
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Implicações Jurídicas e Previdenciárias: B91 e Reversão no INSS
- ▸Estabilidade e Riscos Financeiros: O trabalhador adquire estabilidade de 12 meses após a alta médica e direito ao depósito contínuo de FGTS.
- ▸Defesa Pericial da Empresa: A empresa deve demonstrar através da AET elaborada pelo Dr. André Luiz (CREFITO-9 MT 28.451-F) a existência de medidas de neutralização ergonômica, pausas ativas e impugnar exames que não comprovem nexo de causalidade direto com a rotina funcional.
▸ Links Técnicos Relacionados:
- ▸📖 Artigo Aprofundado: Afastamento B91 por Desfiladeiro Torácico no TRT-23 → →